O Ano Mundial da Agricultura Familiar: A Agricultura Familiar no Brasil e no Mundo

Lead: O ano de 2014 foi declaro o Ano Mundial da Agricultura Familiar. Há uma grande diversidade de critérios usados para definir esse público-meta de políticas públicas destinadas a mitigar os problemas da pobreza no campo. Contudo, a literatura carece de uma revisão das definições dessa categoria de agricultura adotadas no mundo. Essa pesquisa apresenta uma discussão sobre as origens da Agricultura Familiar nos Estados Unidos, no Canadá e na França.


Sumário Executivo


Nos Estados Unidos, a agricultura familiar, solidamente estabelecida após a Guerra Civil, evoluiu para um sistema de intensa utilização de tecnologia. A “corrida pela tecnologia” assumiu tais proporções no início dos anos 30 foram necessárias medidas drásticas para sustentar a renda agrícola. O progresso tecnológico “destruía” estabelecimentos. A tecnologia biológica aumentou de tal maneira os rendimentos que os preços caíram e uma grande parcela dos produtores ou eram amparados pelo Estado, com as políticas públicas, ou acabariam falindo. Os agricultores norte-americanos adotaram tecnologia mecânica, poupadora de trabalho com tratores, colheitadeiras, batedeiras mecanizadas, etc. A partir da metade da década de 50 começou o boom da tecnologia biológica e dos produtos petroquímicos. O progresso tecnológico teria, portanto, um impacto dramático sobre a estrutura da agricultura familiar nos Estados Unidos e no mundo todo. Se não fosse pelo conjunto de políticas de seguro de renda, embutidos nas leis agrícolas, é possível que a agricultura familiar nos Estados Unidos e na Europa tivesse enfrentado reais possibilidades de desaparecimento. Nenhuma estrutura agrícola poderia resistir ao impacto da transformação da agricultura e o progresso técnico. E, nessa mesma linha de raciocínio, não se pode construir categorias de explorações agropecuárias, ou tipologias para estabelecimentos rurais, sem se levar em conta padrões tecnológicos de transformação da agricultura. A solução das políticas públicas do país foi proteger a agricultura familiar. Na França, as novas tecnologias colocaram o país como o segundo exportador mundial de alimentos. Esse crescimento foi acompanhado pela redução da população ativa no setor e pela redução no número de estabelecimentos. 

As políticas de sustentação de preços e seguro de renda propiciaram um aumento acelerado das exportações e algum nível de sustentação real da renda dos agricultores. A solução para manter o homem no campo foi defender a agricultura familiar. A trajetória da agricultura familiar no Canadá é idêntica a dos EUA. Após um período de distribuição de terras, com a implementação de uma lei que se poderia chamar de” Reforma Agrária”, sobreveio o processo de consolidação das fazendas. As glebas foram distribuídas aos produtores nas grandes pradarias canadenses, mas as dimensões das propriedades são hoje muito maiores do que as originalmente distribuídas. Com o passar dos anos, com o avanço da tecnologia biológica, que aumentou muito a produção e fez caírem os preços, os agricultores sofreram um processo que também ocorreu na agricultura dos Estados Unidos que consistia no chamado “duplo aperto” esse sistema consistiu num processo de submeter os agricultores a um estresse recorrente do aumento de custos dos insumos, ao mesmo tempo em que os preços de mercado pressionavam os produtores com queda permanente. Com o aperto das margens de rentabilidade, houve um processo conhecido também nos Estados Unidos de “consolidação das terras”. Com isso aos poucos foram diminuindo o número de estabelecimentos na agricultura canadense, principalmente nos cereais e oleaginosas. Em toda a origem das agriculturas da Europa e do Hemisfério Norte da América está a agricultura familiar.

 
Design by Wordpress Theme | Bloggerized by Free Blogger Templates | free samples without surveys