Ambiente de Negócios III: Como Investir em Agricultura Que Entrou no Túnel do Tempo? O produto agrícola sai da fazenda no século XXI, atravessa o país em estradas do século XX e chega nos portos no século XIX.

Lead: Essa pesquisa faz parte de uma série de que apresenta as características do Ambiente de Negócios no Agronegócio Brasileiro para informar os investidores potenciais nesse setor da economia acerca das vantagens e desvantagens de se investir em projetos. A agricultura de alta tecnologia tem sido prejudicada por infraestrutura modesta. O esforço dos produtores que geram vantagens competitivas se dissipam ao longo das vias e portos, ficando no final desvantagens competitivas. O Brasil exportaria tecnologia não fossem suas exportações de fretes e portos modestos.

Sumário Executivo


A agricultura tem seus pés bem plantados no século XXI. Mas fora da porteira, entra no túnel do tempo. Embora pareça exagero, essa visão descreve com realismo o que se passa entre a fazenda e a logística de escamento da produção. Dentro da porteira da fazenda o Brasil produz commodities intensivas em ciência, tecnologia, inovação, capital humano e competência profissional dos produtores.



Essa é a nossa agricultura do século XXI. As sementes são pacotes tecnológicos que transferem tecnologia de ponta para novos indivíduos da espécie, cada vez mais adaptados a estresses hídricos, resistentes a infestação de pragas e doenças. A ocupação do Centro Oeste foi avassaladora: os produtores dominaram a tecnologia da produção nos cerrados. A transformação de solos pobres em solos férteis exigiu a reconstrução dos solos com calcário, fertilizantes e sementes que fazem a fixação do nitrogênio. A tecnologia que permitiu a ocupação do Cerrado colocou o Brasil como nação líder em técnicas de cultivo na agricultura tropical. A consequência dos avanços tecnológicos é sua alta produtividade, o que leva a sobrar produto e faltar infraestrutura. Por força da concorrência nos mercados internacionais, o Brasil teve que assumir o objetivo de estar na fronteira da ciência e da tecnologia nas pesquisas. O Brasil da fronteira da ciência e tecnologia agropecuária, como está em infraestrutura? Temos uma tecnologia de alto desempenho e serviços de baixa eficiência, gerando uma grande assimetria que compromete inexoravelmente a competitividade. Afinal de contas, como são as rodovias brasileiras? Chegando aos portos, os produtos agrícolas atolam no maior gargalo de escoamento da produção com estrutura semelhante à que existia século XIX. Afora investimentos privados em terminais dentro dos portos públicos a infraestrutura de acesso, o congestionamento dos pátios, a infraestrutura de atracação, sobretudo os processos administrativos e operacionais continuam enraizados no passado distante.  E, o martírio da burocracia portuária, quando 14 órgãos públicos operam de forma desconectada na recepção, licenciamento e embarque da carga agrícola. Em nada faz lembrar os processos otimizados que se passam na etapa de preparo dos solos, plantio e colheita dentro da porteira. São séculos de distância. O Brasil se dá ao luxo de ter overbooking nos portos.

 
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