Qual a real dimensão do congestionamento nos portos?



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O que todo mundo vê nos jornais e noticiários são as filas intermináveis de milhares de carretas nas pistas de acostamento das estradas. O que ninguém vê são os congestionamentos nas áreas de espera (áreas de fundeio) de navios graneleiros aguardando sua vez para encostar (atracar) nos piers dos portos para o carregamento dos granéis agrícolas para a exportação. 


Ninguém pode ver o que está ocorrendo nos portos porque ninguém tem um satélite para visualizar navios dispersos na entrada dos portos esperando sua vez para embarcar soja e milho. Entretanto, uma fotografia de satélite – exibida pela agencia Bloomberg de notícias acerca dos movimentos dos vários graneleiros nos portos mundiais – mostra em tempo real, que no porto de Santos, no dia 4/3, havia 169 navios aguardando as operações de embarques e desembarques, sendo 105 graneleiros; em Paranaguá esses números eram, respectivamente, 134 navios, sendo 110 graneleiros.
Há uma associação entre a supersafra deste ano, de 183 milhões de toneladas, e o congestionamento dos portos. Uma coisa causou a outra? Supersafra causou congestionamento em portos eficientes este ano? Certo? Não. Nada mais errado com essa insinuação. A ineficiência dos portos é um problema desde sempre.
Há décadas já se prenunciava a saturação dos portos. De 1990 até hoje 2013 a produção de soja quadruplicou e as exportações aumentaram 3,8 vezes. No caso do milho, nesse mesmo período, a produção aumentou 2,9 vezes e a exportação de 2000 para 2013 aumentou decuplicou; e o Brasil formou-se um grande exportador do cereal no mundo.
Nesse período de décadas pouco – se alguma coisa foi feita – se investiu nos portos. Pouco foi feito e pouco será feito.
Para se ter uma ideia da ineficiência dos portos, só o município de Sinop, no coração do Mato Grosso, 89% da produção total municipal, de 185 mil toneladas, vai para o porto de Santos e 9%, ou seja 19 mil toneladas vai para Paranaguá.
Além de Sinop, todos os municípios por produtores ao longo da BR-163 (Cuiabá-Santarém) enviam milhares de carretas anualmente para Santos e Paranaguá. Lá ficam estacionados aguardando vez para descarregar os produtos.

 
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