Como está pobre nossa agricultura. Quantos Produtores Restarão na Agricultura Daqui a 10 anos?



Lead: Não adianta contestar o fato de que na agricultura ficarão uma parcela muito reduzida da população do Brasil. Discutimos nesse trabalho a tecnologia biológica que destrói estabelecimentos, por aumentar muito a produção e fazer os preços caírem; e a tecnologia mecânica e herbicidas que destroem empregos na agricultura. A taxa de urbanização no Brasil surpreende. Esse conjunto de fatores cria instabilidade na agricultura brasileira.


Sumário Executivo

            O paradigma da economia dos países industrializados é do emprego pela agricultura de uma pequena parcela da população economicamente ativa, de uma redução persistente do número de agricultores e, finalmente, da perda de importância da agricultura relativa ao Produto Interno Bruto, em termos do que ocorre dentro da porteira da fazenda.
            Há duas razões principais que explicam estas transformações. A industrialização ampliou substancialmente as oportunidades de emprego, o que permitiu às cidades abrigarem a maior parte da população. E a tecnologia deu condições de a agricultura expandir sua produção de acordo com os sinais da demanda. Estes dois movimentos nunca se sincronizaram no tempo, tendo sido mais rápido e profundo o efeito de a tecnologia eliminar postos de emprego e agricultores. A migração rural-urbana desordenada agravou as crises de desemprego das cidades, principalmente, nas depressões.
            Nos países industrializados um conjunto de políticas foi idealizado para arrefecer os efeitos antiemprego da modernização da agricultura e preservar a renda do setor. Todas elas procuraram isolar a agricultura da competição internacional, ou então, criaram condições artificiais que favoreceram a agricultura de um país vis-à-vis a dos países competidores. Destacam-se, neste respeito, os países da Europa, Japão, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Em menor grau, a maioria dos países desenvolvidos protegem, ainda, a sua agricultura. Há cerca de dez anos procura-se reduzir e eliminar as barreiras erigidas contra o livre comércio para proteger a agricultura. Contudo, o progresso tem sido lento, embora não existam razões para isto, pois que a agricultura dos países industrializados pouco emprega. Ou seja, não obstante o enorme dispêndio para preservar o emprego rural, num período de 50 anos, 1930-80, o desenvolvimento urbano e a tecnologia puseram a agricultura daqueles países na condição de um pequeno empregador, em nível de porteira da fazenda. Portanto, as forças do mercado foram mais fortes que os subsídios canalizados para o setor.

 
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