A Pecuária no Brasil e as Questões Ambientais. Existe a Pecuária Sustentável? A Pecuária Responsável?



Lead: Os encontros técnicos sobre a pecuária e as questões ambientais, em que pese serem tecnicamente muito bons, frequentemente omitem um público interessado, mas pouco convocado para esse debate: os consumidores. Para um país como o Brasil é imprescindível colocar essa discussão dentro de um contexto de um país em forte crescimento, redução acelerada da pobreza, melhoria na distribuição de renda, implantação de programas sociais ambiciosos, tudo dependendo de uma oferta de alimentos e de carne bovina, que não deve sofrer nenhum impedimento para sua expansão. Há conflitos entre a Pecuária e as questões ambientais? Há razão para tanta preocupação?


Sumário Executivo

São frequentes os seminários com pesquisadores, cientistas, técnicos, consultores, assessores, ambientalistas, formadores de opinião, tomadores de decisão e ONGs para discussões acerca de complicações ambientais decorrentes de atividades agropecuária. Os que participam no mais das vezes são denominados partes interessadas (chamados em inglês de stakeholders). Mas há outro grupo que raramente é ouvido nesses encontros: os consumidores. Principalmente os consumidores das classes de rendas mais baixas. Há muita preocupação com emissões e pouca preocupação com omissões. Omite-se a presença de consumidores. Mas, em se tratando de alimentos, esses interessados devem participar.
Em alguns encontros são discutidos os impactos ambientais da pecuária, em grande parte se conduz um conjunto de discussões baseado em conhecimentos inspirados em outros países do mundo. Os impactos mencionados são: a) crescimento das pastagens em áreas de florestas; b) poluição da água devido às operações dos frigoríficos; c) emissões de gazes na digestão dos animais; d) recursos escassos de água e terra; e) impacto nas mudanças climáticas, etc. A partir dessas considerações foram cunhadas expressões tais como “pecuária sustentável”, “pecuária responsável”, etc.
Vale à pena incluir e “ouvir” nesses debates um público interessado nos produtos da pecuária, os consumidores, apenas um grupo interessado na cadeia da carne bovina; uma vez que para ouvirmos todos os interessados nos sub-produtos da pecuária seria impossível (tal o número de sub-produtos que um boi pode gerar).
Nos propomos a fazer um exercício “representando” os consumidores, diretamente afetados por quaisquer medidas que esse debate possa sugerir ou ser posta em prática.
Nesse debate todo há algumas perguntas que merecem respostas, como por exemplo: a) Qual a importância dos alimentos (carne) para um país que está experimentando um rápido crescimento econômico como o Brasil?; b) Qual a importância dos alimentos (carne) para as classes sociais emergentes, depois que o Brasil assistiu ao um crescimento da Classe C e uma redução significativa da pobreza e da miséria absoluta?; c) Qual o papel reservado para os alimentos e para a carne bovina como um dos alimentos importantes no contexto dos nos programas sociais do governo, notadamente no caso do Bolsa Família e no Programa Brasil sem miséria?. A pergunta mais importante no contexto das classes emergentes é: se houver quaisquer medidas que comprometam os atuais padrões de alimentação no Brasil, os brasileiros que hoje comem bem e em conta aceitariam regredir nos seus padrões de consumo de carne e alimentos, se algo ameaçar a produção nacional de carne bovina? Esse é o contexto em que o Brasil se encontra nessa fase de ascensão das classes sociais de renda mais baixa. Toda a criação de emprego, de elevação dos níveis de renda e os programas sociais exercem forte pressão sobre a oferta de alimentos e proteínas (carne bovina).
Temos que refletir sobre questões como preferências dos consumidores pela carne bovina, peso dessa carne nos orçamentos das famílias e peso da carne no item alimentação nos índices de inflação. Todos esses indicadores devem ser analisados – e foram incluídos nesse documento.
Outro ponto: a resposta da oferta ao desafio de abastecimento do mercado interno e das oportunidades nos mercados externos. Graças às exportações criamos capacidade produtiva e abastecemos os mercado externos.
O Brasil, como documentamos, liberou cerca de 20 milhões de hectares de pastagens para produção de lavouras, alimentos, biocombustíveis, produtos florestais e produtos que podem substituir importações (borracha).
Fazemos nesse trabalho uma resenha de indicadores de desempenho da carne bovina no Brasil a partir das necessidades da demanda. O setor respondeu e provou ainda, como documentado, que se os produtores são eficientes em produzir são também eficientes em conservar o meio ambiente. Da pecuária há pouco que se pode reclamar.
 Não se pode negar que há complicações – externalidades negativas na atividade – para o meio ambiente. Contudo, mostramos que elas poderão ser equacionadas com uma proposta de solução melhor do que conhecemos hoje. A solução proposta nesse ensaio versa sobre preservar a oferta para os consumidores, em particular os mais pobres, mitigando os impactos da atividade no meio ambiente. As soluções podem partir de uma constatação de que os pecuaristas estão comprometidos com uma agenda de mitigação de efeitos desfavoráveis da pecuária no meio ambiente.

 
Design by Wordpress Theme | Bloggerized by Free Blogger Templates | free samples without surveys